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domingo, 16 de outubro de 2011

Naquela manhã, ela levantou com o sentimento de que deveria permanecer ali, imersa em sua própria solidão. Já não suportava mais tentar sorrir quando sua alma era assassinada pela dor ambientada nela.

A vida carregou-a pelos punhos, a pulso. Ela, sem forças para lutar contra aquilo, apenas aceitou de mau grado a única opção imposta a ela. Seguiu em frente, representando aquele falso teatro de menina crescida enquanto seu mundo se alto destruia a cada segundo. Com ela dentro.

Caminhou. Foi de encontro a sua rotina cansativa, onde expressões de uma falso bem estar foram postas em seu rosto para que tudo parecesse normal. Até quanto tempo ela suportaria? Evitou pensar.

Decidiu fazer daquele ser sua nova pessoa. Desejou intimamente refugiar-se por trás daquela personalidade forte que era temporariamente ela. Tentou. Fracassou. Assim que se viu perdida, fugiu. Buscou abrigo naquele cubiculo frio, onde a única companhia que possuia era a dela mesma, assombrada por pensamentos que dilaceravam sua sanidade.

Sua máscara caiu junto com as lágrimas que conteve a tanto custo durante o dia. Naquele momento, estava a mercê de seu próprio sofrimento. Não conseguiu retornar. Desaprendeu a sorrir. Permaneceu ali.

Sozinha.

Amy diz que está completamente sozinha
Diz que o mundo nem ao menos conhece
Sobre a dor que ela esconde por dentro
Diz que a felicidade é só uma mentira

O cheiro das rosas ela joga fora
Só sussurro, não emite som
Não quero que o mundo conheça a verdade
Você tem sido arrasada e abusada... por você.
 
(Amy Says - Flyleaf)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011


Nada me parecia suficiente naquele instante. Lágrimas já não eram mais choradas. No peito, apenas a sensação de que algo faltava. Os olhos tristes e vermelhos fitavam o teto, enquanto os braços pendiam ao lado do corpo mórbido que habitava a cama. Seria meu esse corpo ainda?

O nó foi atado em minha garganta e eu não sabia se continuava viva. As fugas premeditadas de minha própria dor já não surtiam tanto efeito quanto antes. Meus pensamentos eram convertidos em lembranças tristes, numa saudade que embriagava-me e numa solidão que me envenenava a cada suspiro. 

Na ansia de me encontrar, me perdi. E no desejo de sentir-me viva, sangrei. O coração, que antes me pertencia, pulsava rápido e se chocava contra o peito ossudo do meu corpo. Enquanto o liquido vermelho vivo gotejava nos lençois encardidos, a culpa esbofeteou minha face. Acolhi-me no meu leito tortuoso e busquei numa falsa esperança razões para continuar ali.

De repente, aquele cheiro invadiu minhas narinas. Era puro, reconfortante. Como um chamado para a redenção. Debaixo do travesseiro, puxei a causadora de tamanho rebuliço em minha alma. Aquela camisa. E enquanto a imagem daquele indíviduo perambulava em minha mente, todo o tormento foi traduzido em lágrimas amargas que descansaram em meus lábios.

Busquei abrigo nas recordações de sua imagem e assim adormeci um pouco de minha agonia. Em meio ao silêncio moribundo ambientado no quarto, desejei ouvir aquela voz. Desejei estar em sua presença para que seu corpo me envolvesse num abraço que me devolveria a vida.

A escuridão ambientada ali não anunciou presença alguma. Estava eu apenas em minha companhia leviana. Esperando alguém que não iria entrar pela porta naquela noite. Talvez nunca fosse adentrar. Meu peito ardeu em desespero junto com as marcas gravadas por lâminas em meus braços. As lágrimas sessaram.
Dei-me por vencida e fechei os olhos, ainda sentindo aquele cheiro. Fugi covardemente de minha realidade e dos fantasmas que me assombravam, refugiando-me assim num sono profundo e sem sonhos. Sem forças, sem vida.




terça-feira, 4 de outubro de 2011

Much Like Falling


 Não sou má. Tampouco sádica. Não me ostento com meus feitos, porém, dificilmente tenho piedade quando uma alma se entrega a mim de bom grado.

Era um cenário tristonho. Algumas garrafas jaziam vazias no chão; ela havia bebido todo o seu conteúdo nas ultimas semanas na tentativa de anestesiar a sua dor. O quarto cheirava a mofo e o chão estava repleto de cinzas de cigarro. A penumbra era quebrada por um fino raio solar que adentrava pela fresta das janelas fechadas.

Debaixo de cobertas puídas, seu corpo estava.

Era magro. Os cabelos muito negros e curtos escondiam as feições que, um dia, já foram belas e apreciadas. Não havia mais lágrimas para serem choradas. No lugar delas, apenas o ardor na garganta e uma tonelada sobrecarregando o peito. Marcado no braço, o preço da solidão. Entre os dedos, estava preso o cigarro que ela havia desistido de fumar. 

Suas mãos foram em busca de mais uma droga, abandonando a fortaleza de lençois que protegiam seu corpo do ar gélido do cômodo. A respiração dela era dificultosa, o ar parecia queimar suas entranhas. A cada sopro de coragem, ela engolia um comprimido. Cada comprimido parecia comprimir seus anseios na mesma proporção que seu corpo agonizava. E em meio a isso, o pranto mudo interveio. Toda a dor voltou a escorrer através dos olhos castanhos dela. 

Estava eu prestes a agarrar sua mão e levá-la comigo, quando o feito foi intervido. Suspendido pela presença de um outro alguém que veio ao seu encontro, tomo-a nos braços enquanto ela sentia a vida esvairir-se do seu corpo debilitado. Parecia desejar vir ao meu encontro ao mesmo tempo que o se arrependia do crime que cometera contra si. Estava destruída por dentro.

Assim, doei a ela mais tempo. Tempo para se perder e se encontrar.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

 
Quando eu disse bom dia
eu estava mentindo
Eu estava realmente pensando em
como eu poderia parar de acordar

Ele apontou o quão egoísta
Seria eu me matar
Então eu continuo acordando

Parece com a sensação de estar caindo
Morrendo enquanto eu espero morrer
o medo de alguma coisa ou nada
Mentira solitária e vazia.


(Much Like Falling - Flyleaf)

quinta-feira, 22 de setembro de 2011


"Somente o calor dos teus braços, pra esquentar meu coração e tira-lo desse frio que se chama solidão."

domingo, 18 de setembro de 2011

Le Suicidal Feeling - Parte 3


E você quer três desejos:
Um para voar pelos céus
Um para nadar como peixes
E então um outro que você guarda para um dia de chuva.
Se sua amante levar o amor dela embora.

(Three Wishes - The Pierces)

Uma luz repentina esgueirou-se para dentro do cômodo, anunciando que já amanhecera. Abri meus olhos lentamente, tentando me acostumar com a presença da claridade. Enquanto o  vento acariciava as cortinas do quarto, que dançavam ao seu toque, despertei meu corpo com uma breve espreguiçada e tateei a cama em busca do corpo dela.

Do meu lado, jazia apenas um espaço vazio.

Chamei-a, mas não houve resposta. Meu corpo arrastou-se para fora da cama - ainda era possível sentir o cheiro dela empregnado em mim - e explorei minha casa em sua busca. Gritei seu nome incontáveis vezes, acreditando que ela poderia se materializar em minha frente a qualquer instante e esboçar aquele sorriso que me tirava do eixo. 

A verdade foi jogada aos meus pés e eu me vi obrigada a apanhá-la. Ela havia partido. Abandonou minha casa, deixando-me sedenta por suas palavras de explicação. A manhã não parecia mais tão quente, agora era gélida. Pingos de chuva começaram a ser descarregados lá fora. Escorreguei lentamente pela parede e larguei meu corpo no chão frio, estava semi nua. Algumas lágrimas escaparam dos meus olhos e descansaram em meus lábios. Seu gosto era de solidão.

Lembranças da noite anterior me bombardearam e pude jurar ser capaz de sentir o toque das mãos dela em minha pele, inflamando cada poro do meu corpo. O gosto dos seus lábios ainda habitavam o interior da minha boca. Ansiei intimamente pela próxima vez que iria prová-lo. Conclui em seguida que não haveria um novamente. Sua ausência deixou o fato consumado.

O barulho repentino na porta me fez despertar de minhas recordações.

O cabelo dela estava encharcado devido a chuva lá fora. A porta foi fechada e sua voz rouca me saldou com um sonoro 'Bom dia!'. Ela me fitou longamente, esboçando um sorriso de canto. Carregava sacolas de um supermercado que havia próximo a minha casa. "Trouxe o café da manhã, tua despensa estava vazia e eu tive de ir comprar umas coisas!" Ela falava, enquanto rumava para cozinha. Levantei-me do chão e sequei as lágrimas discretamente. 

"Aconteceu alguma coisa?" Seu olhar pairou sobre mim e eu sorri. 
"Não! Eu... estou feliz por você estar aqui!" respondi. Ela me ofereceu um sorriso e começamos a preparar o café da manhã, trocando beijos, abraços, carinhos e confissões. A história foi iniciada.